Menu fechado

Com quantos lobos se faz uma nação?

Uma reflexão sobre o dia ‘D’ na política Brasileira

Por: Claudecir Bianco
Teólogo e Missionário
Outubro/2018

Observou-se que os perigos inerentes a uma democracia representativa eram de dois tipos:
(1) o perigo de um grau inferior de inteligência no corpo representativo e na opinião pública que o controla; e
(2) o perigo da legislação de classe por parte da maioria numérica, sendo estes todos compostos da mesma classe.

Jonh Stuart Mill – do seu livro Considerações sobre o governo representativo1

Segunda-feira, primeiro dia pós-eleições!

Por favor, não rotule esta argumentação, atribuindo a mim algum posicionamento político. Não o fiz antes e não farei agora.

No entanto, observando ontem, a apuração dos votos e, às vezes, olhando as redes sociais, me deparei com uma situação, no mínimo, ‘interessante’ (uso esta palavra para expressar um sentimento, difícil de explicar e que as letras não conseguem definir).

Observei que, a maioria da população ainda não entendeu o que é Democracia.

Dessa forma, confundem Política com ‘representatividade da sua fé’.

Observei que, muitos ainda não entenderam que o Estado deve ser Laico, mas querem ter maior representatividade, cobrando de seus líderes que pronunciem seu voto, para votar nesta conformidade e, no futuro, cobrar seu ‘presentinho’.

Observei que algumas frases de impacto, usando o nome de Deus, atraem multidões e garante a este mais votos do que a cor do  partido opositor

Observei que, a raiva, antes do dia ‘D’ (que foi ontem – 7/10/18) se desenvolveu de forma agressiva, tanto por um lado, como pelo outro.

Uns não querem armas, mas matam seus semelhantes com palavras, humilha até sua terceira geração, colocando em cheque sua própria percepção, medíocre, de democracia.

Outros, não aceitam o que seu oponente fez até agora e o coloca no banco dos réus e que, se uma arma tivesse, tiraria-lhe a vida, deixando todos mortos numa vala.

O que é pior, sem qualquer tipo de sentimento ‘desconfortável’ com tal ato.

Fiquei e fico com raiva de muitas desordens que acontecem em nosso pais, mas não dou lugar à ira, pois foi escolha do povo.

Fiquei e fico triste em ver pessoas que dão seu voto em troca de ‘presentinhos’, pois não consideram, o voto, como valioso, capaz de mudar a situação de um pais.

Assim, não vou maltratá-lo, nem ao menos publicar palavras ofensivas, denegrindo sua origem, sua cidade, seu estado.

Agora entenda e não se engane, não foi apenas uma determinada região que votou em outro partido, que não da maioria, os outros também fizeram, e continuarão fazendo.

Como nação, creio que podemos ter um pouco mais de sabedoria e buscar conhecer o verdadeiro significado de Democracia.

Mas, tudo isso me fez continuar com a percepção de que estamos distantes de entender o que é, de fato, um processo democrático.

Mas, serviu para confirmar que dentro de nós, tem uma fera, que se bem alimentada, vai devorar qualquer um que se coloque como opositor.

Assim, se rotulam como Cristão, apenas para iludir o outro, esperando a hora para tomar o poder, dominá-lo e exercer sobre ele sua força e astúcia.

Com tudo isso, me parece que há muito mais lobos em nosso pais, do que havíamos, outrora, pensado!

 

Quero uma nação livre e democrática de fato e de direito!

 

_____________________________

1 – MILL, Jonh Stuart. Considerações sobre o governo representativo. Editora Escala. São Paulo/SP. 2006.

Post relacionado